Nossa História

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  A imagem de Nossa Senhora da Paz continua intacta na Igreja Matriz: foi trazida no século XIX pela família dos pioneiros

Tudo começou no ano de 1885, quando as famílias dos pioneiros – família Vieiras – vieram para essa região saindo da cidade de Alfenas, na época um pequeno povoado ao sul de Minas Gerais; eles traziam na bagagem o sonho de uma vida próspera que pudesse dar aos filhos um futuro promissor. A viagem de Minas Gerais até nossa região durou em torno de 40 dias: cavalgavam em torno de 24 quilômetros por dia no lombo de cavalos e quando caia o entardecer e começava a escurecer, eles paravam à beira do caminho para preparar o jantar. Depois, em volta da fogueira, a família de João Batista Viera juntamente com seus escravos rezava diante da Imagem de Nossa Senhora da Paz agradecendo pelo dia e os livramentos dos perigos, que eram constantes naquele tempo, com os ataques dos índios e de animais selvagens que rodeavam o acampamento. Os pioneiros aqui chegaram por volta de 1885 e a família foi logo levantando suas casas em torno de um local chamado por eles de Campo Alegre, distante três quilômetros da Fazenda Três Barras. A história que se contava e dava medo, era da mortandade da família de Teodorinho (filho de José Teodoro de Souza, o desbravador do Vale do Paranapanema); a carnificina se deu no Ribeirão Grande e a família e os escravos foram todos mortos pelo ataque dos índios que habitavam a região; a chacina manchou a água do Riacho de vermelho sangue, sendo por isso, até os dias de hoje, chamado de “Água das Mortes”.210

O primeiro milagre

A história do milagre alcançado pela família dos pioneiros correu toda a região: certo dia, quando se ameaçava um temporal, os homens da família tinham saído para fazer a colheita do milho, tentando evitar perda por causa do mau tempo, e as mulheres e as crianças ficaram sozinhas em casa. De repente, os cachorros começaram a latir nervosamente no quintal, fazendo um tremendo barulho. Sinhá Ana Flora, esposa de Jerônimo Vieira, ao olhar pela janela, avistou alguns índios correndo por trás das árvores e outros em posição de ataque. Sinhá Ana estava em companhia das crianças: Pedrina com 08 meses, Chico 05 anos, Ana Lázara 07 anos, Rita de Cássia 09 anos, e uma escrava que atendia pelo nome de Rosalina, que já tinha mais de oitenta anos e que acompanhava a família desde os tempos de seus pais em Minas Gerais. Sem ter nenhuma proteção masculina e pressentindo o perigo de que poderiam ser atacados pelos índios, veio à mente de Sinhá Ana a carnificina praticada contra a família de Teodorinho no Bairro do Ribeirão. Muito assustada ela foi até um altar no canto da sala de chão batido, onde ficava a imagem de Nossa Senhora da Paz ( hoje essa imagem está no altar da Igreja Matriz de Paraguaçu Paulista) e com as mãos juntas disse com toda a fé que pode juntar naquele momento: “Nossa Senhora Rogai por nós e nos proteja”. Poucos segundos depois dela fazer o pedido para a Santa, ouviu-se dois grandes estalos ensurdecedores: dois raios caíram próximo da casa, um deles partindo uma imensa figueira ao meio, cujo tronco três homens não conseguiam abraçar. Os índios, muito assustados, saíram em disparada embrenhando-se na mata virgem. Dez anos depois, um índio que foi civilizado e que estava naquele dia na tocaia, disse aos Vieras que o pajé da tribo tinha dito que Caramuru, o Deus do Trovão, não queria que eles atacassem aquela família e por isso mandou dois raios de fogo do céu. Para os pioneiros, essa foi a prece à Nossa Senhora da Paz que salvou toda a família.

O sonho dos pioneiros era encontrar um lugar para colocar a imagem

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